Triste diante do preconceito que se revelou durante as campanhas eleitorais e que chegaram ao seu ápice após o resultado final.
Comentários do tipo " quem votou em Dilma é burro ou é pecado, tem que confessar", ou "Dilma ganhou no Nordeste por causa do Bolsa família", ou pior "pelo menos com o bolsa família esse povo pode cuidar dos filhos já que não trabalham". E por aí vai piorando.
Eu me entristeço porque as pessoas que disseram isso não conhecem a realidade brasileira tal como ela é, a realidade do povo que construiu as cidades grandes, que estão nos bastidores praticamente invisíveis. É assim que a elite branca gostaria que eles permanecessem: invisíveis. Quando um pouco de visibilidade lhes é dada, são alvos de todo tipo de preconceito. O pobre não pode ter direito a um auxílio que lhes dê um folga no final do mês, mas a elite branca quer esbanjar comprando no shopping, comendo em lugares caros. Eu não entendo realmente porque o pobre incomoda tanto, porque o branco quer tirar o pouco que eles têm.
São resquícios da colonização, acho que a elite branca já nasce achando que seu papel é dominar e os demais serem dominados.
Enquando existir esses preconceitos que são direcionados a cor, a classe social, a gênero, a região, não iremos mudar o país. Eu fiquei pensando quanto falta um pouco de ciências humanas em cursos essenciais como o Direito, Engenharia , e demais áreas. Não iremos construir a civilização do amor mediados por essas ideias errôneas sobre a família pobre, Não seremos profissionais do Reino se negamos nosso trabalho por acharem que são "preguiçosos" ou "vagabundos". Precisamos ter coragem para pensar, para desconstruir isso, sair da zona de conforto e da culpabilização. Eu defendo cursos mais humanos, que reflitam a sociedade, que reflitam a construção da vulnerabilidade social.
