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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Hoje simplesmente estou triste. Não estou revoltada ou indignada como costumo dizer, apenas triste. 
Triste diante do preconceito que se revelou durante as campanhas eleitorais e que chegaram ao seu ápice após o resultado final. 

Comentários do tipo " quem votou em Dilma é burro ou é pecado, tem que confessar", ou "Dilma ganhou no Nordeste por causa do Bolsa família", ou pior "pelo menos com o bolsa família esse povo pode cuidar dos filhos já que não trabalham". E por aí vai piorando. 

Eu me entristeço porque as pessoas que disseram isso  não conhecem a realidade brasileira tal como ela é, a realidade do povo que construiu as cidades grandes, que estão nos bastidores praticamente invisíveis. É assim que a elite branca gostaria que eles permanecessem: invisíveis. Quando um pouco de visibilidade lhes é dada, são alvos de todo tipo de preconceito. O pobre não pode ter direito a um auxílio que lhes dê um folga no final do mês, mas a elite branca quer esbanjar comprando no shopping, comendo em lugares caros. Eu não entendo realmente porque o pobre incomoda tanto, porque o branco quer tirar o pouco que eles têm. 

São resquícios da colonização, acho que a elite branca já nasce achando que seu papel é dominar e os demais serem dominados. 

Enquando existir esses preconceitos que são direcionados a cor, a classe social, a gênero, a região, não iremos mudar o país. Eu fiquei pensando quanto falta um pouco de ciências humanas em cursos essenciais como o Direito, Engenharia , e demais áreas. Não iremos construir a civilização do amor mediados por essas ideias errôneas sobre a família pobre, Não seremos profissionais do Reino se negamos nosso trabalho por acharem que são "preguiçosos" ou "vagabundos". Precisamos ter coragem para pensar, para desconstruir isso, sair da zona de conforto e da culpabilização. Eu defendo cursos mais humanos, que reflitam a sociedade, que reflitam a construção da vulnerabilidade social.

sexta-feira, 29 de março de 2013

 meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela Espanca

quarta-feira, 13 de março de 2013

Vamos deixe o amor amar?


Com certeza todos nós aqui já ouvimos falar sobre o amor certo? Já ouvimos que somos muito amados por Deus. Amados de tal maneira que Jesus morreu na cruz por nós, que Jesus nos ama, enfim. De alguma maneira nós sabemos que Deus nos ama, mesmo que não sinta.

Vamos combinar que é muito amor que Deus tem por nós não é? Mas quando falamos em amor não sabemos descrever ou demonstrar talvez. Embora a frase eu te amo, ou Deus te ama seja até mesmo comum, muitas vezes não conseguimos pensar o amor como algo prático.

Ontem estava assistindo uma pregação do Pd. Jonas Abib e ele dizia que o amor é algo concreto sim. Não se resumi a sentimentos, é algo que pode ser palpável.Um exemplo disso é a nossa vida. A vida é uma prova concreta do amor de Deus por nós.
O amor ao mesmo tempo que é algo concreto é também movimento. Sim, o amor não se estagna. O amor de Deus em nós está em movimento e não deve parar em nós.

Então o que fazer com o amor de Deus que está em nós? Podemos encontrar a resposta em Rm 13, 8, que diz:
" A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros: porque quem ama aos outros cumpriu a lei"
Vocês veem? É um dever nosso como amados de Deus amar, distribuir o amor que já nos ama. 

Usar a palavra dever quando se trata de amor não é o ideal. Mas como seres humanos falhos que somos, precisamos pedir a Deus que nos ensine a amar.
Que nos ensine a amar como ele nos amou. Um amor sem condições, que não espera retribuições pois somos amados antes de amar, já estamos sendo amados por Deus. Amar o próximo é apenas deixar fluir o amor de Deus que está em nós, de forma que o próximo também será amado por Ele. 

A palavra de Deus continua a nos instigar deixando claro que cumpre os mandamentos aquele que não faz mal ao próximo: que não furta, que não mata, que não adultera. Mas o amor consiste muito além de Não fazer o mal. Significa também fazer o bem. Por isso encerro com o Sl 41, 1 que diz:
"bem aventurado aquele que atende ao pobre,  o Senhor o livrará no dia do mal." 
E eu poderia até acrescentar: bem aventurado aquele que ama o pobre, pois quem o atende demonstra amor.

Por fim irmãos, como disse nosso Pd. Jonas Abib "a solução é amar".
Vamos deixar o amor amar?

sexta-feira, 8 de março de 2013

Diário de uma cuidadora


Como todo trabalhador, proletariado, eu tenho reclamações a fazer.
O salário é pouco, não temos condições de trabalho, não ganhamos insalubridade, passamos por estresse emocional e físico, etc.
São muitas as dificuldades mas ultimamente tenho lembrado o seguinte dizer de uma amiga minha: " É muito bonito o seu trabalho".
Sim, é muito belo o trabalho de um cuidador, especialmente de crianças.
Me dei conta de que não há salário que pague a gratificação que eu sinto. Cada dia que chego recebo uma enxurrada de abraços, de beijos, de carinhos. As vezes, algumas disputam o meu colo.
E quando elas aprendem a chamar seu nome: Tia Fernanda pra cá e pra lá. Ou quando aprendem a pedir para ir no banheiro, pedem por favor para ir beber água? Não há alegria maior.
Quando chegam tão alegres da escola, dizendo tia hoje eu aprendi isso, eu fiz aquilo. Ou tia me ajuda a fazer minha tarefa?
E quando cai a noite e pedem para a tia fazer uma oração ou que uma de nós deite ao seu lado na cama.
Não, não há salário que pague nada disso.
Ver crianças que chegam nas piores situações e daqui um tempo já estão gordinhas, limpinhas, aprendendo e crescendo. Como é belo.
Nosso trabalho é além do aspecto mecânico de dar banho, dar comida, trocar de roupa. Nosso trabalho é educar, é ensinar, é CUIDAR.  E para cuidar precisamos dar carinho, dar atenção, ouvir, precisamos AMAR.
Impossível ser neutra, não se apegar. A gente se apega sim, ama sim.
Eu não tenho filhos biológicos, e nem muito de meus colegas, mas ninguém pode tirar nosso mérito. Somos pais, somos mães que amam cada uma das 20, 30, 50 crianças que estejam no abrigo.
E por amar tanto, sofremos. 
As vezes um dos nossos anjinhos vão embora, voltam para suas casas, são adotadas.
Outras vezes, eles vão embora pra sempre, vão para o céu.
E essa dor, a pior dor, a dor da perda, é tão presente agora.
As pessoas de fora não entendem, não compreendem a nossa dor. É como perder um filho, pois de fato os consideramos assim.
E o nosso anjinho, que partiu no dia 05 de março de 2013, tinha tantas mães e tantos pais que o amavam tanto e ele amava a todos também.
Porque ele era todo amor, só amor.
Um exemplo de superação, de garra, de força. Ele lutou e ele é um vencedor. Sempre tinha um sorriso no rosto. As vezes ficava bravo, mas nunca deu trabalho algum.
Me enchia de alegria quando me chamava de tia. Quando queria sentar no meu colo, ou quando me oferecia bolacha. Ele gostava tanto quando eu o girava no ar.
Sempre obediente e educado, ninguém pode dizer que não.
Só pode ser um anjo disfarçado na terra, que cumpriu sua missão.
E eu me considero privilegiada, sortuda mesmo. Sou muito grata.
Embora a minha dor não seja traduzida em palavras e minha saudade não caiba no peito, sou muito feliz por ter cuidado desse anjo.

Meu filhinho, meu anjinho, meu querido. A tia Fernanda está com muita saudade. Sei que você está no céu. Vou me esforçar aqui na terra para que um dia eu possa te reencontrar, pra gente brincar, e eu te girar como você gostava, aí do ladinho do Papai do Céu.
Te amo!