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domingo, 9 de outubro de 2011

A Barbárie: como viver sem ela?



Dia 13/09, uma terça-feira, vimos acontecer um ato bárbaro concreto. Era 23h e a Neide Barros (uma amiga querida e amada, participante do MUR) estava fechando sua Lan-house como era de costume. Sempre me questionei em relação a este fato: como uma mulher tem coragem de fechar uma lan-house sozinha tarde da noite? Como ela não tem medo? Mas depois voltemos a este ponto.  
Neide foi abordada por um rapaz de 19 anos que frequentava a Lan. Neste dia, ele invadiu a lan house e disse que iria levá-la até um caixa para que ela sacasse dinheiro e depois deixaria ela num local longe e fugiria.  Neide, na sua característica inocência foi com ele, mas ele a levou para fora da cidade (cerca de 50 km) e lá impiedosamente, a assassinou brutalmente...
Hoje, 08 dias após seu falecimento (no dia que eu escrevi isso, hoje já faz quase um mês), ainda tudo parece surreal. E quando vemos suas fotos temos a sensação de que a qualquer momento, geralmente às 23h ela iria chegar após fechar a Lan...
O que este caso tem a nos dizer?
Em julho, estive num congresso em Maringá e uma das mesas falava justamente sobre a barbárie. O presidente da mesa dizia que todos têm uma tendência a barbárie, mas que devemos usá-la contra a barbárie: um tapa é uma ato bárbaro, mas quando uma mãe dá um tapa no filho por que este matou uma borboleta, este tapa foi usado contra a barbárie.
Depois deste episódio reflito: Estamos de fato sendo educados ou educando contra a barbárie? Lembro que nos três dias que a Neide esteve desaparecida, oramos incessantemente por ela e eu tinha tanta certeza que ela estava viva e mesmo no momento que pensei que algo ruim aconteceu com ela, minha imaginação não foi tão fértil para pensar no ato que realmente lhe aconteceu.

Me pergunto? Será que este rapaz um dia teve a chance de ser educado contra a barbárie ou se um dia teve a chance de viver sem ela? Na verdade, seu futuro não me importa, mesmo eu como futura psicóloga, que devo pensá-lo como fruto da nossa sociedade adoecida, não tenho condições para isso, porque neste momento só queremos encontrar um culpado para toda esta tragédia, sofrimento e lágrimas.

Vemos neste caso, dois lados da moeda: de um lado a Neide, uma mulher de 32 anos, extremamente meiga e amorosa, que nunca nesses 03 anos que eu a conhecia cometeu se quer um ato bárbaro. Uma pessoa muito prestativa, que muitas vezes até incomodava, que me preparou para assumir a coordenação que era dela: ornamentação dos retiros. Ela preparou uma lista pra mim, com todas as coisas que precisava fazer, com as coisas que precisava comprar. Me conduziu pra que eu conseguisse ser vitoriosa na minha missão, e diga-se de passagem: fazia isso sempre sorrindo.
Lembro que quando perdi meu celular, mandei um email pro grupo pedindo a doação de um chip e ela prontamente me levou três chips deixando que eu escolhesse qual eu quisesse. Neste dia ela tinha dado sua primeira formação, que foi maravilhoso, foi dinâmico assim como ela era. Lembro da dinâmica que ela fez com os balões, e que não podíamos deixá-los cair, assim como devíamos cuidar de nossos irmãos.
No retiro ela organizou uma dinâmica tão divertida, e hoje eu penso quem terá tanta criatividade assim pros nossos retiros? Ninguém.
Hoje também penso e sinto o peso da culpa, de que nós não cuidamos direito da nossa irmã. Devíamos tê-la obrigado a contratar alguém pra ficar na lan à noite. Mas este não é o foco, o fato é que foi justamente o seu jeito acolhedor que a matou.
Lembro no primeiro retiro do MUR que eu participei e no domingo eu a vi tocando violão pela primeira vez, e eu até fiquei surpresa e falei pra ela você toca? E ela disse só essa música. Lembro que me apaixonei pela música e pela sua voz. Sempre quis aprender e só agora que eu de fato aprendi.

Do outro lado, temos o assassino, que embora eu não conheça sua história, era totalmente envolvido pela barbárie.
Diante disso me questiono:

Será que todo bárbaro precisa de alguém incapaz para a barbárie?
Ela deveria ter sido educada para a barbárie?
Ou ele que deveria ser educado contra ela (a barbárie)?

O que é preciso ser feito para que isso não aconteça mais?

Não temos respostas e vivemos como diz a música:
"Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo, sem saber o calibre do perigo, eu não sei da onde vem o tiro"

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CARTA DE ABRAHAN LINCOLN AO PROFESSOR DO SEU FILHO






"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas, por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Trate- o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso. Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”
Abraham Lincoln, 1830.

Um professor da USP, em uma mesa redonda sobre a educação contra a barbárie afirmou que é obrigação de qualquer ADULTO, de todos, educar e cuidar de qualquer criança, independente do parentesco. Na sociedade em que vivemos, esperamos que o professor seja esse educador, mas nos esquecemos de que somos pais, somos tios, somos vizinhos, somos avós e temos a mesma obrigação de educar nossas crianças. Fazemos de tudo para tirar a responsabilidade de nossas costas e ter alguém para culpar caso tudo dê errado.

Que esta carta sirva para os professores sim, mas principalmente para os pais. Está na hora de eles assumirem de fato seus papéis.





quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Lugar


Os caminhos trouxeram minha flor para este lugar.
Que lugar? Não sei...
Mas sei que minha flor não é só flor
é também sol e este sol ilumina este lugar
Talvez agora que a luz emana
seja possível descrever este lugar
aliás, acho que este lugar só existe
porque antes existe a Minha Flor
A minha Flor é uma alteridade deste lugar
E é neste lugar que quero ficar 
até tudo acabar!

Pequena homenagem a minha sobrinha Nicole Sophi
Minha princesa,  desculpe os desastres de sua tia atrapalhada!

"A afinidade de uma geração se transforma no parentesco da geração seguinte"  
Zygmunt  Bauman - O Amor Líquido

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Não ao Bullying







Parece que poucas pessoas tem levado em consideração o tamanho do sofrimento psíquico que Wellington vinha sofrendo desde a infância. 
Dizem que sofrer Bullying não é justificativa suficiente para matar 12 crianças. E o tratam como se ele fosse um monstro, um demônio, um psicopata. 
Na verdade, ele foi a primeira vítima, e infelizmente levou consigo mais 12.


Os Professores da UnB, ao fazer uma análise sobre o perfil de Wellington fizeram o seguinte comentário:


"Insondável, cruel mesmo, é um rapaz passar anos dando demonstrações de que estava doente a verdadeiros especialistas em seres humanos, como são educadores, psicólogos, gestores em educação, e devem ser pais, amigos, colegas e vizinhos, sem jamais ter sido percebido."


A culpa não é do Wellington...
A culpa é dessa sociedade que incentiva o egocentrismo, o individualismo, o consumismo...
Que não incentiva os valores morais, o respeito mútuo.
Que deixa passar despercebida crianças que não podem se defender
Que não valoriza o diferente e o trata como aberração.



E quando alguém que nunca teve espaço para se defender, para se expressar
finalmente encontra um meio de colocar pra fora o que vinha carregando a anos
é tratado como um monstro, um assassino cruel e frio.


A mídia ainda passa o falso discurso de bondade e compaixão
Sendo que muitas crianças são humilhadas e feridas todos os dias nas escolas e ninguém da a mínima. 


Enquanto não houver amor, novos massacres irão acontecer.