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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O SUGADOR

Sou rico como a Terra negra e farta.
Alimento as coisas que sugam.
O sugador não sabe o que suga.
No entanto:
A boa e velha Terra nunca se revoltou
quando devastaram os campos,
escavaram o solo,
cortaram cada árvore da floresta.
A terra cobriu-se de areia
quando o solo se foi.
Nunca refizeram os campos;
o filhote devolve o que sugou?
Tiraram o meu conhecimento
para curar a alma do doente,
e a ferramenta que construí
para captar a própria essência de Deus.
E pegaram no meu nome
e amarraram-no ao redor do pescoço,
como proteção contra o frio gelado
que castigava a sua carne dolorida.
Não se interessaram pela graça
de amar e cuidar.
Não tinham olhos para ver,
nem mãos para tocar;
nem sentido para viver a graça.
Devastaram simplesmente os campos.
E a Mãe Terra não se revoltou,
nem os atirou para fora.
Cobriu-se apenas de luto
onde a multidão havia habitado.
O solo rico e bom,
que já fora pingue e fértil,
foi-se,
porque eles nunca devolveram a graça.
Não tinham almas:
deram, para receber;
aprenderam, para tirar proveito;
e adoraram, para ganhar.
Nunca, nunca procuraram o espaço
com os braços, o coração ou o cérebro.
O movimento de anseio
foi-se dos seus peitos
exceto para AGARRAR.
Os seus lábios não podiam beijar,
o seu sorriso estava congelado.
A isto chamaram eles o seu «pecado»
e para se verem livres dele,
pregaram o seu redentor
na cruz do feiticeiro.

Poema disponível no livro O Assassinato de Cristo - Wilhem Reich

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